Prefixado ou pós-fixado: como escolher de acordo com o cenário de juros · rendafixa.api.br

Prefixado ou pós-fixado: como escolher de acordo com o cenário de juros

Prefixado ou pós-fixado: retorno por cenário de SELIC e guia de decisão

A escolha entre prefixado e pós-fixado é essencialmente uma aposta sobre a direção dos juros. Se você acerta, ganha mais do que a alternativa. Se erra, perde. Este artigo explica a mecânica de cada tipo, quando cada um se sai melhor e como pensar na decisão sem precisar adivinhar o futuro com precisão.

O que é um título prefixado

Um título prefixado tem sua taxa de retorno definida no momento da compra e não muda mais. Se você compra um CDB prefixado a 13% a.a., vai receber exatamente 13% ao ano pelo prazo contratado — independentemente de o CDI subir para 15% ou cair para 8%.

Essa previsibilidade é a principal vantagem: você sabe exatamente quanto vai ter no vencimento. E é também o principal risco: se as taxas de mercado subirem depois da sua compra, você ficou preso numa taxa menor.

O que é um título pós-fixado

Um título pós-fixado tem seu retorno atrelado a um índice — geralmente o CDI ou a SELIC. O rendimento varia conforme esse índice sobe ou cai ao longo do prazo. Um CDB a 110% do CDI vai pagar mais se o CDI subir e menos se o CDI cair. Você não sabe com certeza quanto vai ter no vencimento, mas sabe que sempre acompanhou o mercado.

Como o cenário de juros define quem ganha

Com CDI atual em 10,5% a.a., compare um CDB prefixado a 13% a.a. contra um CDB pós-fixado a 110% do CDI, com prazo de 2 anos e IR de 15%:

Produto Se SELIC cair para 8% SELIC atual (10,5%) Se SELIC subir para 14%
Pré 13% a.a. ~11,2% líq. ~11,2% líq. ~11,2% líq.
CDB 110% CDI ~7,6% líq. ~9,9% líq. ~12,7% líq.
LCI 98% CDI ~7,5% líq. ~9,5% líq. ~12,5% líq.*

*LCI isenta de IR. Taxas líquidas aproximadas para 2 anos com IR 15% no CDB prefixado e pós-fixado.

O prefixado vence quando os juros caem — ele trava uma taxa alta antes que o mercado ajuste para baixo. O pós-fixado vence quando os juros sobem — ele acompanha automaticamente o novo patamar. No cenário atual (sem mudança de taxa), os dois estão próximos, mas o prefixado a 13% leva vantagem por ser uma taxa acima do CDI atual.

A pergunta certa não é "qual vai ganhar"

Ninguém sabe com certeza para onde os juros vão. O COPOM pode surpreender. A inflação pode sair do controle ou cair mais rápido do que o esperado. Tentar acertar a direção dos juros com precisão é uma aposta, não uma estratégia.

A pergunta mais útil é: qual é o custo de estar errado?

  • Se você escolhe prefixado e os juros sobem muito, você recebe 11,2% enquanto o mercado paga 12,7%. Você perdeu rentabilidade, mas não perdeu dinheiro — e ainda saiu bem em termos absolutos.
  • Se você escolhe pós-fixado e os juros caem muito, você recebe 7,6% enquanto o prefixado teria dado 11,2%. Esse é o custo do erro nessa direção — mais doloroso porque a queda de juros reduz mais brutalmente o pós-fixado.

Num ciclo de alta de juros, o pós-fixado se protege melhor. Num ciclo de queda — que é quando o Banco Central está cortando a SELIC — o prefixado captura o juro alto antes que ele desapareça.

O papel do horizonte de tempo

Para prazos curtos (até 1 ano), a diferença entre prefixado e pós-fixado é pequena. A taxa CDI não se move tanto em 12 meses que justifique uma aposta forte. Para prazos mais longos (2, 3, 5 anos), a divergência pode ser expressiva — e vale a pena ter uma visão sobre o ciclo de juros.

Uma abordagem prática para quem não quer apostar: dividir o investimento. Parte em pós-fixado (que garante o CDI se os juros subirem) e parte em prefixado (que garante a taxa atual se os juros caírem). Você não maximiza em nenhum cenário, mas limita o custo de estar errado em qualquer direção.

O IPCA+ como uma terceira opção

O Tesouro IPCA+ e CRIs/CRAs indexados ao IPCA oferecem um caminho diferente: em vez de apostar na direção dos juros nominais, você aposta num juro real fixo. Se o spread contratado é 6% acima do IPCA, você receberá 6% acima da inflação independentemente de onde a SELIC for. A variável que importa é a inflação, não a taxa de juros.

Isso é especialmente interessante para metas de longo prazo onde o poder de compra importa mais do que o retorno nominal — como a aposentadoria ou a compra de um imóvel em 10 anos.

Resumo prático

Cenário esperado Tipo favorecido Motivo
Juros em queda (SELIC caindo)PrefixadoTrava taxa alta antes do corte
Juros em alta (SELIC subindo)Pós-fixadoAcompanha a alta automaticamente
Incerteza sobre jurosPós-fixado ou mistoLimita o custo do erro
Meta de longo prazo, foco em poder de compraIPCA+Juro real travado, imune à inflação

A plataforma rendafixa.api.br lista títulos prefixados, pós-fixados e IPCA+ lado a lado com retorno líquido e ganho real calculados de forma comparável — para você escolher com base nos números, não no tipo do produto.

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